Aldeia do Bispo

Aldeia do BispoAldeia predominantemente agrícola até meados do século vinte, Aldeia do Bispo despovoou-se (como as outras aldeias da região) aquando do surto migratório que levou os seus naturais a procurar novo modo de vida no estrangeiro ou nos centros urbanos de Portugal.

Não obstante, soube guardar intactas as tradições ancestrais, à maneira de elemento federador e pretexto repetido para as visitas anuais.

A semelhança de muitas outras aldeias, Aldeia do Bispo não tem um património que se possa qualificar de monumental, noentanto, podemos

dizer que é bastante rico e diversificado.

No seu limite, foram inventoriadas mais de trinta sepulturas antropomóficas escavadas na rocha. Trata-se, sem dúvida de uma das mais importantes

necrópoles desta natureza na região, à qual, um estudo mais aprofundado, não deixaria certamente de acrescentar as 14 ou 15 identificadas no limite de Aldeia Velha.

Existem também inumeros choços e vários moinhos de água, dos quais, um ainda se encontra em estado de funcionamento.

Espalhadas pelos campos várias pedras bolideiras ou cavaleiras chamam a nossa atenção, assim como várias outras pedras, cuja forma e disposição,

nos fazem pensar a um antigo santuário lusitano.

 

HISTÓRIA de Aldeia do Bispo

Aldeia do Bispo é uma antiquíssima povoação do concelho de Sabugal , que dista cerca de 25 km, da capital do distrito Guarda de 60 km e do posto fronteiriço e estação de caminho de ferro de Vilar Formoso, 45 km.

Pela sua situação geográfica (a 1,5 km da fronteira espanhola), foi sempre um ponto de passagem para a aldeia espanhola de Navasfrias (5 km) e também para as vilas de Valverde del Fresno (16 km), Ciudad Rodrigo (50 km) e a cidade de Salamanca (130 km). Estes laços com a vizinha Espanha, já são longínquos considerando que até 1296/1297 os territórios da margem direita do rio Côa e por conseguinte de Aldeia do Bispo eram pertença do Reino de Castela e Leão.

Fica distante 5 km da nascente do rio Côa.

No limite de Aldeia do Bispo, é, em parte, a ribeira da Raia (Ribeira do Codessal , segundo documento antigo de 1226) que divide as duas nações.

A aldeia é banhada pela Ribeira dos Munhos e seu afluente Ribeira do Poço que atravessa o centro da povoação e lhe dá um aspecto muito pitoresco, as suas águas escoam para a aldeia vizinha de Lageosa.

A ribeira do Codessal e dos Munhos vão desaguar no rio Rio Águeda (Rio de Navasfrias), cujas águas se juntarão no rio Douro.

A sul, prolongamento das serras espanholas da Peňa de Francia e Jalama (Xalma) e serras portuguesas das Barreiras, Cabeço Vermelho e das Mesas; a poente, Malhão e Matança.

A cobertura vegetal mudou muito após a praga dos incêndios florestais das décadas 70 e 80 do século XX, o pinho foi substituído pelo eucalipto e o carvalho negral apoderou-se da maior parte das terras.

A produção da castanha também diminuiu drasticamente por falta de tratamento e devido à doença da tinta.

Recentemente alguns soutos de castanheiros foram plantados.

Nas árvores frutíferas são abundantes as macieiras e marmeleiros.

Com a mudança do manto florestal e falta de exploração das terras, também a fauna procurou outros lugares: o lobo está extinto desde a década 80 do século XX, a lebre e o coelho como a perdiz tornaram-se escassos. Só a raposa é que conseguiu adaptar-se a esta nova situação. Outros animais percorrem agora o limite de Aldeia do Bispo: corços e javalis (em grande quantidade).

Com paciência, também se pode observar o esquilo e outros mamíferos de tamanho pequeno.

As pegas azuis e aves de rapina investiram agora os céus límpidos desta freguesia.

Os seus limites confrontam com os da Lageosa, Aldeia Velha, Fóios e da espanhola Navasfrías.

A nível geológico, o granito de grão grosso domina a paisagem, excepto nas serras do Malhão e Matança onde predomina o xisto.

A altitude média da aldeia situa-se à cota de 930 m, o clima é continental com fortes amplitudes.

É difícil definir o aparecimento desta povoação, dado não haver documentos comprovativos.

No entanto os achados apontam para a existência de um povoado na época pré-histórica

Também não conhecemos o nome primitivo de Aldeia do Bispo, o nome actual da freguesia aparece já referido no ano de 1320.

Podemos alvitrar a hipótese que o nome antigo fosse do desagrado da Igreja.

Aldeia do Bispo teve uma população importante até a década 50 do século XX, a partir de 1960 foi registado um grande despovoamento.

Este êxodo, no início, rural, para Lisboa, Porto e Coimbra, acentuou-se depois para os países europeus: essencialmente para França.

 

PATRIMÓNIO

Património edificado

Campanário (1868)

Fonte de mergulho

Chafarizes (3)

Património religioso

Igreja matriz – de Santo Antão – século XVII ???

Igreja de São Gregório – século XVIII

Santuário lusitano (Vale João Fernandes)

Património arqueológico e etnográfico

Sepulturas antropomórficas (mais de 30),

Cruzinhas de limite da freguesia,

Covinhas da época pré-histórica.

Machado pré histórico (4.000 AC e 2.000 AC) - Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa,

Moinhos de água (Moinho do Ti Abel, Moinhos das Cerdeirinhas, Moinho do Colmo, Moinho dos Quinxóis, Moinho das Poldras).

Choços ou chafordões,

Pontão do Valongo, pontão do Vale Portinho.

Património natural e lazer

Miradouro na serra da Matança

Percursos pedestres sinalizados com tabuletas e marcos em granito (Rota do Malhão)

Cedro no adro das escolas

Carvalho quadricentenário

Pinho no lugar dos Carrasqueiros

Penedo (barroco) oscilante no lugar de Resprados/Golricha

Pedras cavaleiras

Património imaterial

Capeia arraiana com forcão

 

TRADIÇÕES

Festas

Nossa Senhora dos Milagres

Santo Antão

São João

São Martinho

Entrudo (Carnaval)

Gastronomia

Enchidos

Fabricação de mel

Especialidades: Chanfraina, chanfana, cabrito, caldo escoado, milharas

Actividades económicas

Pastorícia

Tecelagem

Turismo rural

 

ASSOCIATIVISMO

Associação da Mocidade de Aldeia do Bispo

Associação dos Amigos de Aldeia do Bispo

Clube de Caça e Pesca de Aldeia do Bispo

Raiar - Associação de Aldeia do Bispo

 


 Planta das ruas de Aldeia do Bispo

 Descarregar a planta das ruas editada pela associação Raiar : planta

Planta AB mini